segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Anos 80 Gerald Thomas e outros

A diversidade é o principal aspecto do teatro dos anos 80. O período se caracteriza pela influência do pós-modernismo movimento marcado pela união da estética tradicional à moderna. O expoente dessa linha é o diretor e dramaturgo Gerald Thomas. Montagens como Carmem com Filtro, Eletra com Creta e Quartett apresentam um apuro técnico inédito. Seus espetáculos dão grande importância à cenografia e à coreografia. Novos grupos teatrais, como o Ponkã, o Boi Voador e o XPTO, também priorizam as linguagens visuais e sonoras.
O diretor Ulysses Cruz, da companhia Boi Voador, destaca-se com a montagem de Fragmentos de um Discurso Amoroso, baseado em texto de Roland Barthes. Outros jovens encenadores, como José Possi Neto (De Braços Abertos), Roberto Lage (Meu Tio, o Iauaretê) e Márcio Aurélio (Lua de Cetim), têm seus trabalhos reconhecidos. Cacá Rosset, diretor do Ornitorrinco, consegue fenômeno de público com Ubu, de Alfred Jarry. Na dramaturgia predomina o besteirol - comédia de costumes que explora situações absurdas. O movimento cresce no Rio de Janeiro e tem como principais representantes Miguel Falabella e Vicente Pereira. Em São Paulo surgem nomes como Maria Adelaide Amaral, Flávio de Souza, Alcides Nogueira, Naum Alves de Souza e Mauro Rasi. Trair e Coçar É Só Começar, de Marcos Caruso e Jandira Martini, torna-se um dos grandes sucessos comerciais da década. Luís Alberto de Abreu - que escreve peças como Bella, Ciao e Xica da Silva- é um dos autores com obra de maior fôlego, que atravessa também os anos 90.

Eugênio Barba e o Odin no Brasil e Denise Stoklos em Nova York

O modelo de pensamento de Barba chega ao Brasil através de pessoas do teatro que foram a Europa a procura de um contato mais profundo com o método de Grotowiski, e, porém, o que encontraram foi contexto das idéias e práticas de Barba florescendo no velho continente. Barba vem ao Brasil pela primeira vez em junho de 1987, a convite do LUME - laboratório de pesquisa teatral coordenado por Luis Otavio Burnier - que explorava idéias sobre o trabalho do ator que iam de encontro aos pensamentos de Eugenio Barba e o Odin Teatret, e tinham então o intuito de promover um intercambio teatral produtivo entre o teatro brasileiro e as práticas do Odin. A experiência foi bastante polêmica, principalmente pelo imprevisto de uma atriz do Odin adoecer, impedindo a apresentação de quatro dos cinco espetáculos programados, o que resultou na falta de uma demonstração mais concreta do trabalho do Grupo, provocando uma incompreensão dos seus métodos por parte de muitos artistas brasileiros que participaram das outras atividades programadas, como seminários e oficinas ministradas por Barba. Muitos deles reclamaram de colocações pouco claras de Eugênio, assim como de uma desorganização de metodologia nas oficinas. É interessante notar também um comentário publicado na época pelo boletim informativo INACEN em que Barba diz: “Já dei cursos em várias partes do mundo. Essa é a primeira vez que encontro atores que não sabem repetir ações.”. Nota-se que tantos desencontros surgidos nesse primeiro encontro provinha do abismo que distanciava as práticas e conceitos de atuação entre os atores e atrizes brasileiros e os profissionais de Eugênio Barba. Porém a intenção de Luis Otavio Burnier era justamente proporcionar um diálogo entre esse fazer teatral, gerar reflexões e pensamentos através deste encontro, o que decepcionou alguns entusiastas, que esperavam conclusões prontas de Barba. Entre críticas, elogios, decepções, e aprendizagens, é evidente que a nova lógica proposta por Barba, de pensar e sistematizar um teatro a partir do ator, gerou um amplo leque de possibilidades para o fazer teatral brasileiro. As práticas contaminadas Após o contato com Eugênio Barba e o Odin Teatret, o fazer teatral brasileiro foi se transformando, construindo uma nova lógica que (anunciada às referências a eles ou não) permite identificar os rastros que o pensar deste teórico/ prático reverberou em nosso país. Primeiramente, a noção de que as práticas de um grupo geram procedimentos pedagógicos influência a concepção de diversos grupos pós-Barba, proporcionando assim o surgimento de escolas teatrais organizadas pelos grupos, bem como as propostas de “oficinas” ministradas também por estes. Todos os grupos teatrais brasileiros que partiram para a prática de oferecer oficinas, palestras, demonstrações/apresentações, são de influência dos pensamentos de Barba, que carregam a noção de que teatro é feito no treinamento e no intercâmbio, instituindo então nos grupos brasileiros, novos parâmetros técnicos e sociais. A noção de treinamento também repercutiu em novos vínculos simbólicos e sociais, colocando os atores que antes no Brasil se formavam para dar aulas, num permanente processo de formação e aprendizagem, colocando-se agora num contínuo papel de aluno/pedagogo. Assim também deslocando a função do diretor, que ampliou sua atuação de acordo com a constante reformulação dos materiais criativos dos atores. Em alguns casos ocorrendo até o desaparecimento da função do diretor devido à autonomia gerada ao ator, como é o caso atual do próprio LUME[1]. A noção de ator-compositor contamina de forma abrangente e intensa nos grupos teatrais, estendendo e impregnando também nas escolas. Desta forma o fazer teatral brasileiro se transforma numa preocupação muito maior, na valorização do trabalho do ator como construção de linguagem estética, abandonando a antiga supervalorização de um teatro com premissas políticas.
[1] Principalmente depois da morte do seu coordenador Luis Otavio Burnier.


1987 - A atriz performática Denise Stoklos desponta internacionalmente em carreira solo. O espetáculo Mary Stuart, apresentado em Nova York, nos Estados Unidos, é totalmente concebido por ela. Seu trabalho é chamado de teatro essencial porque utiliza o mínimo de recursos materiais e o máximo dos próprios meios do ator, que são o corpo, a voz e o pensamento.

Morte de Trancredo Neves



Tancredo Neves adoece as vésperas de sua posse e não resiste, morre no dia 21 de abril de 1985.

As pessoas saíram ás ruas para fazer vigílias em frente ao hospital onde Tancredo estava internado. Comoção social.

O maior receio da população era a de que os militares voltassem ao poder.


http://www.youtube.com/watch?v=pRU360VGgvE

Quem assume o poder é o vice-presidente José Sarney

E durante o seu mandato é criado o Ministério da cultura através do decreto n°91.144 de 15 de março de 1985 e promulgada a Nova Constituição Federal (1988)

Criação da Lei Sarney (primeira de incentivo a cultura)

Movimento em Favor da Democracia


No ano de 1984 com os militares ainda no poder, mas com o AI n°5 já extinto e com a Lei de Anistia promulgada, no último ano do governo do Presidente João Figueiredo, todos clamavam pela redemocratização do país de forma rápida e para que isso acontecesse era preciso que projeto de Lei (Emenda) criada pelo Deputado Dante de Oliveira (PMDB), que propunha a eleição direta para presidente, fosse votada e aprovada. Assim as pessoas saíram às ruas para clamar pela aprovação das eleições diretas que significava esperança de mudanças econômicas e sociais no país.


As Diretas ficaram conhecidas como um dos maiores movimentos de manifestação popular do país, sendo apoiada por diversas áreas: Lideranças estudantis, sindicatos, intelectuais, artistas e religiosos e também figuras perseguidas pela ditadura militar.



“Em janeiro de 1984, cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, cerca de 1,7 milhões de pessoas se mobilizaram em São Paulo.”

Mesmo assim, no dia 25 de abril de 1984 os deputados decidiram pela não aprovação da proposta de Dante de Oliveira.

As eleições ocorreram de forma indireta, tendo como indicados os civis Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB). Sendo Tancredo Neves eleito pelo Colégio Eleitoral.